Oak (BR): Narrativas Psicodélicas na Nova Geração do Underground Mineiro
Por Oneide Schneider | Edição Abril 2026 •
Na nova geografia da música eletrônica underground
brasileira, projetos emergentes começam a se destacar não pela velocidade
de exposição, mas pela consistência estética e pela construção
de identidade. É nesse território que surge Oak (BR),
projeto do artista mineiro João Victor Carvalho, iniciado em 2022,
com uma proposta voltada à imersão sonora e à experiência
sensorial dentro do psytrance contemporâneo.
Com raízes em Minas Gerais, Oak (BR) representa uma nova geração que cresce fora dos grandes centros tradicionais, fortalecendo a cena com uma abordagem focada em atmosfera, narrativa e energia de pista. Sua identidade transita entre psytrance, progressive trance, dark progressive e psytechno, incorporando também elementos melódicos e experimentais.
Antes da consolidação do projeto, sua trajetória pessoal passou por um período de transformação. Oak enfrentou problemas com dependência química, o que o levou à internação em uma clínica de reabilitação. Após quatro meses, teve contato com sua primeira festa de música eletrônica, experiência que se tornou um ponto de virada e um novo motivo para seguir. Hoje, o artista celebra quatro anos limpo, tendo a música eletrônica como parte importante de sua reconstrução pessoal e também da construção de sua identidade artística.
A base sonora do projeto se apoia em basslines intensas, texturas hipnóticas e uma estrutura que se aproxima de uma construção cinematográfica. Em vez de sequências isoladas, Oak organiza suas apresentações como jornadas contínuas, onde cada faixa funciona como parte de um fluxo maior, conduzindo o público por diferentes camadas de tensão, densidade e energia.
Essa identidade ganha forma nas produções mais recentes do artista. Faixas como “Dialogue in the Void”, “Addicted”, “Alone Child” em colaboração com Tohd, e “Swing, Baby!” ao lado de JOX, revelam uma sonoridade orientada para a pista noturna, com BPMs entre 138 e 145, característica do progressive psy moderno e do psytechno underground.
Nas composições, Oak (BR) explora grooves contínuos, camadas atmosféricas em expansão e uma dinâmica que privilegia a imersão gradual. O resultado é um som que dialoga tanto com a pista quanto com a escuta concentrada, mantendo coerência entre energia física e densidade emocional.
Além da produção musical, o artista também atua como idealizador de experiências dentro da cena, com iniciativas como Green Garden PVT e Progstyle, projetos que buscam fortalecer a cultura psicodélica underground e criar espaços de conexão através da música. Essa atuação reforça uma característica comum aos novos nomes da cena: a de não apenas tocar, mas construir comunidade.
Mesmo com trajetória recente, Oak (BR) já demonstra identidade definida, presença crescente nas plataformas de áudio e lançamentos por selos como a Bantuh Records, sinalizando uma evolução consistente dentro do circuito independente.
Diretamente do underground mineiro, o projeto avança com uma proposta que valoriza atmosfera, progressão e experiência sensorial. Mais do que sequência de faixas, Oak (BR) constrói uma travessia sonora onde emoção, densidade e movimento se conectam em uma mesma narrativa.
No underground, onde a pista continua sendo espaço de descoberta, Oak (BR) surge como um nome em ascensão, guiado pela ideia de que a música eletrônica ainda pode ser imersiva, intensa e profundamente narrativa.